EMMAUS ANGLICAN ABBEY

Buscamos ser uma luz para Monges-urbanos quando em comunidade juntos buscam a vivência monástica e evangélica mesmo inseridos na Sociedade e Eremitas Urbanos aqueles que nos buscam para viver sua espiritualidade em silêncio e Solidão mesmo em meio a sociedade, saindo apenas para as necessidades básicas de trabalho e afins

ABADIA DE EMAÚS

Somos uma comunidade monástica ecumênica na tradição beneditina e de Taizé e da Community of Solitude A Comunidade de Emaús é uma comunidade intencional que compartilha uma vida comum de oração solidária ( através das Jornadas da Esperança e Jornadas da Confiança ) e trabalho social.

Venha nos conhecer !

16/04/2017

Feliz Páscoa

A Páscoa Cristã traz a possibilidade de redenção dos pecados e dos erros por meio da ressurreição interior com mudanças efetivas em nosso modo de viver. Viver a ressurreição interior é ser capaz de mudar, é partilhar a vida na esperança, é lutar para vencer toda sorte de sofrimento. É ajudar mais gente a ser gente, é viver em constante libertação, é crer na vida que vence a morte. É dizer sim ao amor e a vida, é investir na fraternidade, é lutar por um mundo melhor, é vivenciar a solidariedade. É renascimento, é recomeço, é uma nova chance para melhorarmos as coisas que não gostamos em nós, para sermos mais felizes por conhecermos a nós mesmos mais um pouquinho e vermos que hoje, somos melhores do que fomos ontem.

Feliz Páscoa !

 

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12/04/2017

DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR – ANO A

9 de Abril de 2017





Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 26, 14-27; 27, 1-66)

Naquele tempo, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse-lhes: «Quanto me dareis, se eu vo-lo entregar?» Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. E, a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» Ele respondeu: «Ide à cidade, a casa de um certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; é em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.’» Os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa. Ao cair da tarde, sentou-se à mesa com os Doze. Enquanto comiam, disse: «Em verdade vos digo: Um de vós me há-de entregar.» Profundamente entristecidos, começaram a perguntar-lhe, cada um por sua vez: «Porventura serei eu, Senhor?» Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse me entregará. O Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue. Seria melhor para esse homem não ter nascido!» Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: «Porventura serei eu, Mestre?» «Tu o disseste» – respondeu Jesus. Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo.» Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos.

De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e anciãos do povo se reuniram em conselho contra Jesus, para o matarem. E, manietando-o, levaram-no ao governador Pilatos. Então Judas, que o entregara, vendo que Ele tinha sido condenado, foi tocado pelo remorso e devolveu as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: «Pequei, entregando sangue inocente.» Eles replicaram: «Que nos importa? Isso é lá contigo.» Atirando as moedas para o santuário, ele saiu e foi enforcar-se.

Os sumos sacerdotes, apanhando as moedas, disseram: «Não é lícito lançá-las no tesouro, pois são preço de sangue.» Depois de terem deliberado, compraram com elas o «Campo do Oleiro», para servir de cemitério aos estrangeiros. Por tal razão, aquele campo é chamado, até ao dia de hoje, «Campo de Sangue.» Deste modo, cumpriu-se o que fora dito pelo profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi avaliado aquele que os filhos de Israel avaliaram, e deram-nas pelo Campo do Oleiro, como o Senhor havia ordenado.»

Jesus foi conduzido à presença do governador, que lhe perguntou: «Tu és o Rei dos Judeus?» Jesus respondeu: «Tu o dizes.» Mas, ao ser acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos, nada respondeu. Pilatos disse-lhe, então: «Não ouves tudo o que dizem contra ti?» Mas Ele não respondeu coisa alguma, de modo que o governador estava muito admirado.

Ora, por ocasião da festa, o governador costumava conceder a liberdade a um prisioneiro, à escolha do povo. Nessa altura havia um preso afamado, chamado Barrabás. Pilatos perguntou ao povo, que se encontrava reunido: «Qual quereis que vos solte: Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?» Ele sabia que o tinham entregado por inveja.

Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer: «Não te intrometas no caso desse justo, porque hoje muito sofri em sonhos por causa dele.» Mas os sumos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a pedir Barrabás e exigir a morte de Jesus. Tomando a palavra, o governador inquiriu: «Qual dos dois quereis que vos solte?» Eles responderam: «Barrabás!» Pilatos disse-lhes: «Que hei-de fazer, então, de Jesus chamado Cristo?» Todos responderam: «Seja crucificado!» Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?» Mas eles cada vez gritavam mais: «Seja crucificado!»

Pilatos, vendo que nada conseguia e que o tumulto aumentava cada vez mais, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: «Estou inocente deste sangue. Isso é convosco.» E todo o povo respondeu: «Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!» Então, soltou-lhes Barrabás. Quanto a Jesus, depois de o mandar flagelar, entregou-o para ser crucificado. Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e reuniram toda a corte à volta dele. Despiram-no e envolveram-no com um manto escarlate. Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e uma cana na mão direita. Dobrando o joelho diante dele, escarneciam-no, dizendo: «Salve! Rei dos Judeus!» E, cuspindo-lhe no rosto, agarravam na cana e batiam-lhe na cabeça. Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto, vestiram-lhe as suas roupas e levaram-no para ser crucificado. À saída, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e obrigaram-no a levar a cruz de Jesus.

Quando chegaram a um lugar chamado Gólgota, isto é, «Lugar do Crânio», deram-lhe a beber vinho misturado com fel; mas Ele, provando-o, não quis beber. Depois de o terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte. Ficaram ali sentados a guardá-lo. Por cima da sua cabeça, colocaram um escrito, indicando a causa da sua condenação: «Este é Jesus, o rei dos Judeus.» Com Ele, foram crucificados dois salteadores: um à direita e outro à esquerda.
Os que passavam injuriavam-no, meneando a cabeça e dizendo: «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és Filho de Deus, desce da cruz!» Os sumos sacerdotes com os doutores da Lei e os anciãos também zombavam dele, dizendo: «Salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é o rei de Israel, desça da cruz, e acreditaremos nele. Confiou em Deus; Ele que o livre agora, se o ama, pois disse: ‘Eu sou Filho de Deus!’» Até os salteadores, que estavam com Ele crucificados, o insultavam.
Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolve
ram toda a terra. Cerca das três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: Eli, Eli, lemá sabactháni?, isto é: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? Alguns dos que ali se encontravam, ao ouvi-lo, disseram: «Está a chamar por Elias.» Um deles correu imediatamente, pegou numa esponja, embebeu-a em vinagre e, fixando-a numa cana, dava-lhe de beber. Mas os outros disseram: «Deixa; vejamos se Elias vem salvá-lo.» E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.

Então, o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo. A terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos corpos de santos, que estavam mortos, ressuscitaram; e, saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. O centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram apavorados e disseram: «Este era verdadeiramente o Filho de Deus!»
Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia e o serviram. Entre elas, estavam Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o num túmulo novo, que tinha mandado talhar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra contra a porta do túmulo e retirou-se. Maria de Magdala e a outra Maria estavam ali sentadas, em frente do sepulcro.

No dia seguinte, que era o dia a seguir ao da Preparação, os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram-se com Pilatos e disseram-lhe: «Senhor, lembrámo-nos de que aquele impostor disse, ainda em vida: ‘Três dias depois hei-de ressuscitar.’ Por isso, ordena que o sepulcro seja guardado até ao terceiro dia, não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo: ‘Ressuscitou dos mortos.’ E seria a última impostura pior do que a primeira.» Pilatos respondeu-lhes: «Tendes guardas. Ide e guardai-o como entenderdes.» E eles foram pôr o sepulcro em segurança, selando a pedra e confiando-o à vigilância dos guardas.

Quem sou eu?

Esta semana começa com a festiva procissão dos ramos de oliveira: todo o povo acolhe Jesus. As crianças, os adolescentes cantam, louvam Jesus.

Mas esta semana continua com o mistério da morte de Jesus e da sua ressurreição. Ouvimos a Paixão do Senhor. Será bom pormo-nos apenas uma pergunta: Quem sou eu? Quem sou eu, face ao meu Senhor? Quem sou eu à vista de Jesus que entra festivamente em Jerusalém? Sou capaz de exprimir a minha alegria, de O louvar? Ou fico à distância? Quem sou eu, face a Jesus que sofre?

Escutámos muitos nomes, muitos nomes. O grupo dos líderes, alguns sacerdotes, alguns fariseus, alguns doutores da lei, que decidiram matá-Lo. Esperavam só a oportunidade boa para O prenderem. Sou eu como um deles?

Ouvimos também outro nome: Judas. Trinta moedas. Sou eu como Judas? Escutámos outros nomes: os discípulos que não entendiam nada, que adormeciam enquanto o Senhor sofria. A minha vida está adormecida? Ou sou como os discípulos, que não compreendiam o que era trair Jesus? Ou então como aquele discípulo que queria resolver tudo com a espada: sou eu como eles? Sou como Judas, que finge de amar e beija o Mestre para O entregar, para O trair? Sou eu um traidor? Sou eu como aqueles líderes que montam à pressa o tribunal e procuram testemunhas falsas: sou eu como eles? E, quando faço estas coisas – se é que as faço –, creio que, com isso, salvo o povo?

Sou eu como Pilatos? Quando vejo que a situação é difícil, lavo as mãos e não assumo a minha responsabilidade, condenando ou deixando condenar as pessoas?
Sou eu como aquela multidão que não sabia bem se estava numa reunião religiosa, num julgamento ou num circo, e escolhe Barrabás? Para ela tanto valia: era mais divertido, para humilhar Jesus.

Sou eu como os soldados, que batem no Senhor, cospem-Lhe em cima, insultam-No, divertem-se com a humilhação do Senhor?

Sou eu como Simão de Cirene que voltava do trabalho, cansado, mas teve a boa vontade de ajudar o Senhor a levar a cruz?

Sou eu como aqueles que passavam diante da Cruz e escarneciam de Jesus: «Era tão corajoso! Desça da cruz e nós acreditaremos n’Ele!». Escarnecem de Jesus...

Sou eu como aquelas mulheres corajosas, e como a Mãe de Jesus, que estavam lá e sofriam em silêncio?

Sou eu como José, o discípulo oculto, que leva o corpo de Jesus, com amor, para Lhe dar sepultura?

Sou eu como as duas Marias que permanecem junto do sepulcro chorando, rezando?

Sou eu como aqueles líderes que, no dia seguinte, foram ter com Pilatos para lhe dizer: «Olha que Ele afirmava que havia de ressuscitar. Não queremos mais enganos!» e bloqueiam a vida, bloqueiam o sepulcro para defender a doutrina, para que a vida não irrompa?

Onde está o meu coração? Com qual destas pessoas me pareço? Que esta pergunta nos acompanhe durante toda a semana (Papa Francisco).

Palavra para o caminho

Para entendermos a entrada de Jesus em Jerusalém que se comemora no Domingo de Ramos convém ter presente o que diz o profeta Zacarias: “Exulta de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti;  Ele é justo e vitorioso; vem, humilde, montado num jumento, sobre um jumentinho, filho de uma jumenta. Ele exterminará os carros de guerra da terra de Efraim e os cavalos de Jerusalém; o arco de guerra será quebrado. Proclamará a paz para as nações. O seu império irá de um mar ao outro e do rio às extremidades da terra” (Zc 9, 9-10). De notar que Zacarias escreveu esta página deslumbrante de um Rei diferente, pobre, manso e humilde, em contraponto com o imponente espectáculo do grande Alexandre Magno, quando este, em finais do século IV a. C., descia a costa palestinense a caminho do Egipto, com todo o seu arsenal de riqueza e de prepotência militar!

Um rei jamais entraria numa cidade montado num jumento (o animal do pobre camponês), mas num cavalo branco de raça! Jesus, fazendo a sua entrada assim, faz uma releitura de Zacarias, e identificou-se com o rei pobre, manso e humilde!
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AS ÉPOCAS DO CORAÇÃO

AS ÉPOCAS DO CORAÇÃO
Um Coração que escuta - A Vida Contemplativa





    John Welch, O. Carm.
    Deus, sempre presente

    Uma das mensagens mais impressionantes transmitida pelos santos Carmelitas foi a descoberta do facto de que Deus nos ama primeiro tal como somos. Pensando que procuravam um Deus ausente e que a vida consistia na procura desse Deus, os santos Carmelitas regressavam dos seus esforços testemunhando que foi o próprio Deus a procurá-los durante todo aquele tempo, e que a história das nossas vidas não é a procura que fazemos de Deus, mas o desejo que Deus tem de nós e a procura que Ele faz de nós. A fome do nosso coração, o desejo de que somos, é devida ao facto de que Deus nos desejou e amou primeiro. Com o decorrer do tempo pode suceder que a nossa transformação seja tão grande que vivamos numa consonância de desejo, com o nosso desejo humano participando plenamente do desejo de Deus.

    Em certa ocasião Teresa de Ávila ouviu estas palavras enquanto orava: “Procura-te em mim”! Perguntou a muitos dos seus amigos e a alguns directores espirituais de Ávila o significado de: “Procura-te em mim”! Entre as pessoas a quem perguntou estavam Francisco de Salcedo, um director espiritual leigo, o seu irmão Lourenço de Cepeda e João da Cruz. Reuniram-se para discutir as suas respostas mas Teresa não estava presente e por isso decidiram enviá-las. Seguindo a tradição das disputas académicas, praticada em algumas escolas, Teresa encontrou alegremente falta em cada resposta e subtilmente riu-se de cada uma delas. Não temos as respostas mas as rejeições de Teresa a essas mesmas respostas. Na sua resposta, Francisco de Salcedo citara muitas vezes S. Paulo e termina desculpando-se, humildemente, por ter “escrito estupidezes”. Teresa repreende-o por considerar as palavras de S. Paulo “estupidezes”, ameaçando-o entregá-lo à Inquisição.

    Supõe-se que João da Cruz tenha respondido que o significado de “Procura-te em mim!” exigia que ela morresse para o mundo para se poder buscar em Deus. Teresa contestou-o com uma oração na qual pedia ser liberta de gente tão espiritual como João da Cruz. Disse-lhe que a sua resposta podia ser boa para os membros da Companhia de Jesus, mas não para aqueles a quem tinha em mente. A vida não é suficientemente longa se temos que morrer para o mundo antes de encontrar Deus. Citando o Evangelho, Teresa fazia notar que Maria Madalena não estava morta para o mundo antes de se encontrar com Jesus; tão pouco a mulher cananeia estava morta para o mundo antes de pedir as migalhas da mesa. E a mulher samararitana tão pouco estava morta para o mundo antes de se encontrar com Jesus no poço. Era quem era e Jesus aceitou-a. Teresa termina a sua resposta agradecendo a João da Cruz por ter respondido ao que não lhe tinha pedido.

    O que Teresa pretende demonstrar é que Deus vem ao nosso encontro e nos aceita tal qual somos no percurso da nossa vida. Fomos aceites por Ele desde sempre. O desafio que nos é colocado é o de acolher esta Presença que nos aceita, e permitir que nos transforme. A realidade deste abraço é a essência da nossa oração. Orar, portanto, é entrar confiadamente nesta relação e fazer dela o fundamento da nossa vida. É fácil em teoria, mas muito difícil vivê-la diariamente.

    Um teólogo resumiu desta maneira a mensagem de Teresa: o melhor modo de cooperar com Deus que corrige a orientação da nossa vida, é prestar uma fiel e constante atenção ao nosso íntimo e ao nosso centro.

    Atraídos pelo amor

    A tradição Carmelita pode ser mal compreendida. O Carmelo pode parecer dizer às pessoas que somente um rigoroso ascetismo pode conduzi-las à união com Deus; que os ídolos da nossa vida podem ser derrubados unicamente através de esforços heróicos e de uma vida isolada e austera quando, na verdade, a mensagem do Carmelo é a da necessidade da graça de Deus e a boa notícia é a de que a graça está sempre disponível: basta que a nossa vida se lhe abra.

    Na Subida do Monte Carmelo João da Cruz dá alguns conselhos para nos ajudar a desapegar dos ídolos que nos submeteram ao seu serviço. Os conselhos, num primeiro momento, podem parecer absurdamente intransigentes e, às vezes, também desproporcionados. Mas João é rápido em afirmar que a força de vontade e o ascetismo sozinhos, não podem libertar o coração escravizado pelos ídolos. O ídolo fornece algum alimento ao coração esfomeado de Deus. O ídolo talvez lhe proporcione alguma alegria, alguma identidade, alguma segurança ao peregrino esfomeado. O coração por si mesmo é incapaz de afastar-se deste alimento e entrar num vazio afectivo, esperando pelo Senhor.

    João testemunha que só quando o coração tem uma oferta melhor é que pode então desapegar-se do que estava apegado anteriormente com todas as forças. Só quando Deus entra numa vida e acende nela um amor no mais fundo da pessoa e a aparta dos amores de menor valor, só então é que esta pessoa pode abrir-se e desapegar-se dos ídolos. Com um convite de um amor como este, o que antes era impossível (deixar os ídolos) torna-se gradualmente possível, enquanto os ídolos se vão desvanecendo. O coração vai passando então de um amor para outro. Porque João está convencido de que Deus é o centro da alma, a tarefa não é encontrar um Deus distante, mas despertar em nós a consciência da realidade de um Deus “que sempre esteve aí”.

    “Tudo é graça”, disse Teresa de Lisieux, que expressou esta convicção enquanto morria de tuberculose, rodeada de uma espiritualidade que desconfiava da natureza humana, e que na convicção de que o amor de Deus deveria ser merecido convidava as “almas vítimas” a acalmar a ira de Deus. Quando lhe disseram que não podia receber a Santa Comunhão, a resposta de Teresa foi simplesmente que assim como era uma graça poder recebê-la, todavia continuava a ser uma graça, agora que não a podia receber. “Tudo é graça”.

    Teresa de Lisieux estava convencida de que Deus estava sempre presente nela, que a amava e que este amor era gratuito, sem mérito algum da sua parte. Falando dos méritos dizia com simplicidade: “Não tenho nenhum”.

    Teresa conhecia a justiça de Deus e estava consciente do facto de que pessoas devotas ofereciam-se a si mesmas como vítimas a essa justiça, para que os pecadores fossem perdoados e Deus aplacado. Este Deus não era familiar a Teresa. Nenhum dos rostos de Deus presentes na sua vida exigia ser aplacado: nem sua mãe, nem seu pai; nem Paulina, nem Celina; nem Maria, nem o Deus da Bíblia hebraica que amava os pequenos, nem Jesus que chamou os pequenos a vir a si; nem mesmo o Amado do Cântico dos Cânticos ou das poesias de João da Cruz. Teresa acreditava que Deus é justo, mas que esta justiça conhece muito bem a nossa pequenez e leva-a em conta.

    Teresa de Lisieux foi descrita certa vez como “um Vaticano II em miniatura”. A atenção recente prestada à sua mensagem recorda-nos que não se deve dar prioridade aos nossos méritos e esforços, mas a uma vida vivida na confiança e na entrega. Teresa começa a sua autobiografia com as palavras de S. Paulo aos Romanos: “Portanto não depende da vontade nem dos esforços humanos, mas de Deus que usa de misericórdia”.

    Teresa antecipou-se à teologia dos nossos dias que entende a graça como graça incriada, uma presença, plena de amor e salvífica, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Quando falamos de contemplação, simplesmente estamos a encorajar a abertura a este amor gratuito que nos é concedido. Deus vem continuamente até nós convidando-nos a entrar, mais livremente, na profundidade da nossa vida, numa relação de amor. Contemplação significa estar abertos a este amor transformante, sem levar em conta o modo como se aproxima de nós. 

    A contemplação reorientada 

    Um dos desenvolvimentos recentes na compreensão do carisma Carmelita é o novo lugar atribuído à contemplação entre as nossas prioridades. Sempre se falou da oração, da comunidade e do ministério como os três pilares do nosso carisma. A contemplação era vista como uma forma de oração superior ou mais profunda, e algumas vezes, na nossa história, ministério e contemplação apareciam como que em contraposição entre si. Não obstante, aqui temos uma descrição da contemplação que se encontra no documento da Ordem Carmelita sobre a formação: “Nesta progressiva e contínua transformação em Cristo realizada em nós pelo Espírito, Deus atrai-nos para Si num caminho interior que conduz da periferia dispersante da vida para a cela mais íntima do nosso ser, onde Ele mora e nos une a Si”.

    Começamos a entender agora que a contemplação fundamenta e une a oração, a comunidade e o ministério. A porta principal é a oração, mas o amor de Deus é-nos oferecido de várias maneiras nas diversas realidades da nossa vida através das quais podemos entrar nessa abertura contemplativa de Deus, isto é, viver uma vida autêntica de fé, esperança e amor, através de qualquer destes três caminhos. Não são caminhos opostos mas são janelas abertas para a realidade transcendente que se alberga no mais fundo da nossa vida e nos permitem contactar com o Mistério.

    É importante sublinhar esta perspectiva, porque o Carmelo teve oitocentos anos de ministério como resposta à Igreja e ao povo de Deus e, se Deus quiser, terá muitos mais séculos de serviço desinteressado. E nada disto é contrário à vida contemplativa. Muitos Carmelitas foram transformados em pessoas mais cheias de amor, graças ao seu empenho com o povo de Deus nos vários ministérios.

    O Arcebispo Romero foi transformado e convertido pelo amor de Deus não só na solidão da sua oração, como também no seu compromisso com o Senhor da história, nos duros esforços do povo por encontrar o seu lugar no banquete da vida. A contemplação deveria ser a fonte mais profunda de compaixão pelo nosso mundo. O contemplativo é aquele que foi levado a entrar na pobreza e impotência absolutas de uma alma sem Deus. O contemplativo aprende a esperar na esperança juntamente com todos aqueles que esperam a misericórdia de Deus. Nesta escuta contemplativa aprende-se a dizer: “Somos pobres”!

    A nossa vivência contemplativa, a nossa abertura ao amor de Deus que vem até nós nos bons e maus momentos, é um dom que podemos compartilhar com os outros. O que aconteceu na vida dos santos do Carmelo e na vida dos Carmelitas de hoje, acontece na vida de todos. Poderemos dar um testemunho melhor se pusermos a atenção no que somos: uma fraternidade contemplativa no meio do povo.

    Falando à Congregação Geral da Ordem em 1999, um Carmelita alemão acentuou este carisma contemplativo: “Creio firmemente que a nossa primeira tarefa é colocar muita da nossa energia, tempo, talento e capacidades pessoais neste processo de uma crescente relação com o Deus da vida e do amor. O nosso crescimento pessoal, humano e espiritual, assim como também o nosso futuro como Ordem, dependem do quanto estejamos dispostos a conceder e a desenvolver  esta íntima amizade com Deus, quer individualmente quer comunitariamente, para podermos ser transformados segundo a imagem de Cristo, que actua através de nós para o bem da Igreja e do mundo”.

    Resumo
    A história do Amado que vem ao encontro da Amada para atrair o seu coração para uma profunda união, é a história protótipo que os Carmelitas experimentaram repetidas vezes. A nossa vida não pode ser forçada à submissão a não ser que seja conduzida pelo amor. Não podemos deixar o apego aos nossos ídolos se Deus não acender no nosso coração um amor mais profundo. O coração tem então um lugar para onde ir e pode confiadamente desamarrar-se das suas “ataduras”, dependências e ídolos. O amor de Deus, sempre presente e oferecido, atrai o coração até à profundidade de Deus, “entremos mais adentro na espessura”, aí encontra-se com o sofrimento do mundo. A nossa atitude contemplativa não nos afasta das preocupações do mundo mas lança-nos para a luta corajosa no mundo.

    Perguntas para reflexão

    • Como “sentinela na noite” mantenho-me vigilante à espera da chegada do amor de Deus? Na minha vida onde me sinto chamado a uma escuta mais profunda? Onde encontro os desafios contínuos para a minha mente e o meu coração? Estes desafios são convites para me entregar, de um modo mais profundo, ao amor transformante de Deus?
    • Entre os sinais atuantes do amor de Deus estão uma crescente confiança na Sua misericórdia e uma crescente liberdade perante aquilo que escraviza o coração. Experimento esta crescente confiança? Estou consciente de uma maior liberdade? Na verdade entreguei-me ao Mistério que se alberga no centro da minha vida ou continuo a lutar por assegurar a minha própria existência?
    • Vi o rosto de Cristo no rosto das pessoas a quem sirvo? Consigo reconhecer o convite do amor transformante de Deus quando se aproxima de mim disfarçado numa cultura particular?
    • Na minha comunidade e no meu ministério, como posso ajudar a criar as condições para “um coração que escuta”? 
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06/04/2017

OS EREMITAS URBANOS

OS EREMITAS URBANOS



(Tradução e complementos, Irmã Gema - Autor : Vittorio Messori)


" Os eremitas de hoje vivem na cidade


Seu número cresce a cada dia. Passam sua vida em oração, não temem a pobreza e rejeitam qualquer hierarquia. Sua força está em contrariar o espírito atual. A Igreja decidiu reintegrar os eremitas no Direito Canônico (sejam urbanos ou rurais).  Esses eremitas não querem ser notícia, buscam o silêncio e a discrição. Sua porta ficará sempre fechada para quem se aproxime dele como jornalista ou simplesmente um curioso. Tenho o privilégio de conhecer alguns pessoalmente, porém não teria acesso algum a seus esconderijos se violasse a promessa de não dar nomes nem endereços. De toda forma se alguém quer buscar seu rastro que não busque em lugares íngremes: é muito mais provável que os encontre nos quartinhos, ou quitinetes dos centros metropolitanos. Esses eremitas estão retornando pela porta grande e seu número cresce a cada ano, ainda que poucos o sabem, como é óbvio, dado seu empenho em passar despercebidos.


A Igreja porém sim, sabe de sua existência. E decidiu voltar a dar um lugar dentro de sua estrutura. Pois o Código de Direito Canônico de 1917 os havia ignorado, não por hostilidade, senão porque parecia que formavam parte de página do Cristianismo, longa e gloriosa, porém definitivamente encerrada.        
  Uma página que se iniciou quando no Oriente milhões de crentes fugiram no deserto ou nas montanhas: grutas e ou cabanas se encheram de solitários que lutavam tanto contra leões e serpentes como contra os demônios tentadores. A fama de seus jejuns, das penitências, do silêncio ininterrupto provocava a afluência de discípulos, e com freqüência o solitário se via obrigado a acolhe-los, criando – as vezes contra a sua vontade- uma comunidade a dar uma regra. Também foi este o destino de quem no Ocidente ia a ser a origem da forma de monacato que marcaria os séculos seguintes beneficamente. São Bento de Núrsia começou como eremita, porém sua mesma fama  de santidade lhe tirou da gruta e lhe forçou a transformar-se em mestre e legislador de cenóbios.

        

  A Idade Média se encheu de eremitas, muitos dos quais encontravam seu sustento guardando cemitérios, pontes ou santuários. O declínio começou com o Concílio de Trento, que desconfiou dos anacoretas porque eram incontroláveis, e concluiu no Século das Luzes e da Revolução Francesa que perseguiu estes “parasitas anti- sociais” aos que também consideravam “fanáticos obscurantistas”. No século XIX o eremita ficará condenado a ser quase um personagem de novela romântica, ao estilo do Conde de Monte Cristo. Dentro da Igreja, a vocação a solidão havia ficado canalizada desde há muito tempo através de Ordens religiosas como as dos Cartuxos ou dos Camaldulenses, e nas que o isolamento é unido com a comunhão com os irmãos, na oração e nos atos comunitários.

          

Se dizia que o silêncio do Código eclesiástico de 1917 era significativo : já não ficam anacoretas, fora de suas regras. E em troca, esta vocação, -rara, porém insuprimível- desde logo não havia desaparecido, senão que se incubava debaixo das cinzas, de modo que o novo Código publicado em 1983 há tido que levantar uma ata, O segundo parágrafo do cânon 603, a Igreja reconhece oficialmente aos eremitas como “consagrados” se “mediante voto ou outro vínculo sagrado, professam publicamente os três conselhos evangélicos (pobreza, castidade, obediência) nas mãos do Bispo diocesano”, e se o mesmo Ordinário do lugar os aprova uma regra que eles mesmos escreveram. Uma regra equilibrada, com requisitos mínimos, porém tal como é obrigado para uma eleição de vida inspirada pela obediência a Igreja e a leitura mais rigorosa do Evangelho a vez que pela liberdade e a autonomia dos filhos de Deus que seguem uma vocação particular e de todo pessoal.

          

As estatísticas são difíceis, por não dizer impossíveis: ainda que se lhes conheçam, muito raramente os eremitas respondem a pesquisas ou questionários. Agora surgiu uma investigação dos jesuítas americanos que há tido um certo tipo de êxito,  de uma resultado de cerca de 600 eremitas em todo mundo que conseguiu cerca de 140 respostas. Uma miséria para qualquer outra categoria de eremitas, que se nos atentarmos para os valores fiáveis, contaria em todo o mundo com vinte mil pessoas. Na Itália de mil a mil e duzentos, divididos quase igual entre homens e mulheres. A imensa maioria é católica, ainda que não faltem outras confissões cristãs e outras confissões. Como alguém assinalou, o anacoreta é o mais “ecumênico” dos crentes -vivendo todos os dias- os valores que unem todas as confissões: oração, penitência, sacrifício, isolamento, contemplação.

     

Parece que entre os novos eremitas italianos também se cumpre o que revela a investigação americana, segundo a qual, apenas 2 % escolheu viver em grutas ou lugares desse estilo como galerias subterrâneas. Nem a maioria se encontra no campo ou nas montanhas. Na realidade, o maior número dos eremitas atuais  são urbanos !



     A cidade grande é o verdadeiro lugar da solidão e do anonimato, do combate silencioso contra os novos demônios. A maioria tem entre cinqüenta e sessenta anos, e são raríssimos os que estão com menos de trinta. 


Não há mais que recordar o velho provérbio: “Para um jovem eremita, um diabo velho”. Todos os mestres da vida espiritual hão ensinado sempre que uma vocação assim distingue a uma elite de homem e de mulheres particularmente experimentados. De fato, no eremitério não se tem o apoio de uma comunidade fraterna; a solidão e o silêncio constantes são uma alegria apenas para quem realmente há sido chamado;< alguns> nem sequer contam com algum hábito ou distintivo.



Não somente: a obrigada pobreza se converte muitas vezes em miséria, sobretudo para quem encontrou na cidade o seu “deserto”, dado que o anacoreta buscará fugir de toda “dissipação”, e por tanto, dos trabalhos em fábricas ou oficinas, viverá das pequenas coisas que possa fazer dentro de suas modestíssimas quatro paredes. Isto quase nunca assegura os ingressos suficientes para uma que uma vida não se deslize da pobreza para a indigência. Esta é uma das razões pela que muitos esperam ter uma idade suficiente para uma pequena aposentadoria ainda que mínima, que lhes permita cultivar em paz sua própria vocação.

  

  Em geral tem mas sorte para o sustento diário aqueles que tem sua casa no campo. Todas as experiências dão fé de que no princípio, é difícil pela desconfiança dos moradores que se perguntam quem será esse (a) “forasteiro (a)” estranho que, no geral, tem um ar distinto ( a maioria tem faculdade), que <quase> não recebe visitas, que não tem telefone, nem televisão, que dorme com as galinhas e acorda com a aurora, e que só fala com os demais – pároco inclusive- as mínimas palavras indispensáveis. De tal modo é isso que a primeira visita, em geral é da polícia local, alertado das observações dos vizinhos ! Depois, pouco a pouco, se aceita o (a) “forasteiro (a)” como um membro da comunidade, alguém singular.


Ainda que a maioria dos eremitas sejam leigos, também são numerosos aqueles sacerdotes, freis ou monjas que chegam a vida eremítica depois de muitos anos em comunidades tradicionais. São os mais afortunados, pois uma vez que lhes é concedido dar o passo a esta nova forma de vida, podem ter a ajuda da família religiosa da qual provêm.

        
  
Porém, Porque uma escolha assim?  Primeiro temos que dizer que se trata de uma vocação, um chamado, que floresceu novamente por reação a uma embriagues “comunitária”, “social”-e porque não dizer mundana- que arruinou muitos ambientes religiosos.O excesso da insistência com o compromisso com o mundo, o transbordamento das palavras, faladas e escritas, levaram a muitos a redescobrir a força da oração e o gozo do silêncio.                  
  O eremita dá sua vida por coisas “inúteis” segundo o mundo e, desgraçadamente também segundo certa “cultura da eficiência” cristã atual. A simples regra que ele mesmo escreve a si, e que quer submeter a aprovação do bispo, prevê, sobretudo, horas de oração, de leitura espiritual e de meditação. Prevê vigílias, jejuns, penitências, renúncias. No eremita há uma rejeição radical da lógica mundana, para a qual somente a ação, a política, o compromisso social, as inversões econômicas podem mudar o mundo para melhor. Ele por sua parte, respondeu a um chamado, que o fez compreender até o fim que somente quem entrega sua vida a salva, e que o modo mais eficaz de amar e de ajudar é de sepultar-se debaixo do anonimato, no silêncio, na impotência, crendo até o mais profundo no mistério da “comunhão dos
santos”.

   

 Creio que isto é o que queria dizer a inscrição que vi na parede da cela de um anacoreta em um eremitério deteriorado no coração de Turín: “O que vai ao deserto, não é um desertor”. Nada de um desertor, senão um crente que, em vez do ativismo construído apenas na aparência, decidiu praticar a forma mais alta de caridade na perspectiva evangélica: a oração ininterrupta por todos, e na solidão e no silêncio mais radicais.”

Termina o texto do autor, os que quiserem ver o texto original, basta acessar pelo computador e ver na coluna de links.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:


* O Eremita Urbano segundo o autor, nada mais é do que um eremita diocesano que mora na cidade, a diferença é apenas ambiental.Nada impede todavia, que esse eremita seja autônomo.
* A cidade não é de forma alguma impedimento para a vida eremítica, embora, haja a condição adversa da falta de silêncio e... de inúmeros e imprevisíveis vizinhos cada qual de um jeito, de um tipo, de uma maneira de viver...
 *O eremitismo não é uma vocação para crianças e amadores, requer sólida maturidade,uma boa caminhada, enfim uma vida experimentada e provada no serviço de Deus.

* Vantagens: Perto de tudo- hospital, médico, fisioterapia, banco, supermercado, farmácia, Igrejas ( que podem oferecer a missa diária, adoração perpétua, retiros, peregrinações) , opções seguras de lazer ( um parque para caminhar, etc). Uma outra boa vantagem ao diocesano é estar mais perto da Cúria e ser mais facilitada as audiências com o Bispo, caso for necessário. Apartamentos são muito seguros, é uma vantagem importante. Mais proveitoso para conseguir artigos para o trabalho, dependendo do que for o ofício e conhecer clientes. Fica mais independente de benfeitores.


* Desvantagens: pouco silêncio (ora o trânsito, ora são reformas, ora os vizinhos,ora os trabalhadores...). Em apartamentos pode se revelar mais entediante, não há jardim... e ainda há desafios com vizinhos de cima que podem gostar de televisão alta, som alto, gritar palavrões e outros maus costumes..., a solidão física (sem ver e sem ser visto) você terá mais dentro de casa. O uso do hábito, é mais desafiante, principalmente aos que moram em apartamentos e podem se deparar no elevador, com qualquer pessoa tomando qualquer atitude (já tive a experiência quando estava na cidade, que uma vizinha correu e bateu a porta do elevador para não subir comigo!!!), há muitos que não gostariam de vê-lo... Casas geminadas podem mostrar a mesma desvantagem...Considere que as pessoas querem conviver com quem tem afinidades, pelo menos externas...

Sugestões:
 
* Para quem escolhe apartamentos, tenha poucos móveis e faça um jardim de inverno dentro de casa. Fica um ambiente bonito para descansar a vista e ter um lugar a mais para uma breve meditação além do oratório.


*Use e abuse dos abafadores de som, de todos os tipos e tamanhos, ajuda muito naqueles momentos de caos e total poluição auditiva (eu não vivo sem eles, faz parte do meu hábito )...Pode ser adquirido facilmente no Mercado livre.

*Levante cedo, aquele silêncio das primeiras horas da manhã são os mais proveitosos, depois das 8:30 da manhã, já começa a agitação, e o silêncio da noite não é igual...

                   
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SOBRE O EREMITISMO PARCIAL E SECULAR

SOBRE O EREMITISMO PARCIAL E SECULAR

EREMITISMO PARCIAL E SECULAR


A Igreja Católica Apostólica Romana considera como eremitas apenas aqueles que vivem em solidão, isolamento, assídua oração e penitência, consagrando a vida a Deus e a salvação do mundo (CIC 920). O modo de vida solitária deve ser constante, contínuo e estável. Ou seja, a solidão deve ser permanente, conforme a regra de vida de cada um, na observância dos conselhos evangélicos (castidade celibatária, pobreza e obediência).
Existe, todavia uma nova corrente na espiritualidade eremítica, de pessoas leigas solteiras ou casadas, que encontram profunda afinidade com o eremitismo, e sentem grande necessidade de estarem a sós com Deus, e dedicar-se a essa solidão semanalmente ou em parte do dia. 

Retiro, solidão e oração, mesmo na vida secular

Geralmente os solteiros e viúvos trabalham meio período num emprego secular, e no outro se retiram completamente para orar, ler, escrever, estando a sós com Deus, somente. Os casados, devido às obrigações próprias de seu estado, dedicam- se às vezes alguns fins de semana, em completo retiro, separado da família. Os momentos em que consagram a vida espiritual são de completa solidão.
 Um exemplo recente é o da Serva de Deus Elisabeth Leseur (Paris - sec. XX), que mesmo sendo casada, mas sem filhos, se devotava a retiros mensais e anuais, em casas de exercícios espirituais, com a devida permissão de seu cônjuge Félix, este quando ficou viúvo converteu-se por intercessão de sua própria esposa, e ingressou no convento dos dominicanos.

Serva de Deus Elisabeth Leseur- casada-  sec. XX , dedicava-se ao recolhimento ocasionalmente 

 O eremitismo parcial consiste, portanto, em viver os elementos da vida eremítica, na medida do possível, sem necessariamente ser um eremita em toda sua plenitude. Tal modo de vida não tem um reconhecimento oficial da Igreja, por essas pessoas não estarem de todo livres e desimpedidas numa doação integral a solidão. O correto seria até mesmo não chama- los de eremitas, e sim contemplativos, pois ainda possuem vínculos com o século.
Algumas correntes atuais do eremitismo (Comunidade Horeb, por exemplo), porém “adotaram” essas almas, chamando de eremitas parciais ou seculares, algumas outras correntes chegam a dizer que essas pessoas são eremitas urbanos, porém aqui no Blog usaremos sempre os parâmetros do Catecismo da Igreja Católica (920-921) e Código de Direito Canônico (Cân. 603 §1 e 2), e essa modalidade do eremitismo, não consta em ambas as fontes.

“O eremita tal como está escrito no Cân 603 § 2 é um fiel que não pertence a nenhum instituto de vida consagrada, e vive uma vida eremítica com certa estabilidade”. (DICIONÁRIO DE DIREITO CANÔNICO)

Existem outras confissões católicas, como os Véteros –Católicos ou Católicos Velhos(Para quem nunca ouviu falar os véteros católicos, são desligados de Roma, tem seu próprio papa e toda uma hierarquia própria, e vive a vida católica primitiva, os padres são casados, não há celibato. São estes que regem a organização do Priorado dos Eremitas Seculares). 
Há alguns Patriarcados Ortodoxos (em especial na Argentina tem os eremitas da Santa Cruz, uma grande associação de fiéis leigos consagrados, casados ou não, que vivem uma espiritualidade contemplativa, porém sem necessariamente, viverem em solidão...), que consideram como eremitas também o leigo do povo fiel, mesmo trabalhando num emprego secular no mundo. Todavia no Oriente ortodoxo[De um modo geral Egito, Etiópia, Grécia e Rússia] o eremitismo é mais conservador, apenas para os célibes e são totalmente afastados do mundo secular. É mais conhecido o eremitismo masculino, algumas fontes mencionam o eremitismo feminino, mas até onde se sabe é bem menos radical a separação com o mundo, e elas são de um número inferior, quase sem necessidade de fazer-lhes menção ou referência. A grande maioria das consagradas mulheres são cenobitas. ... 
Já os Católicos Anglicanos admitem casados e divorciados para uma consagração eremítica, desde que abracem o celibato, também permitem empregos seculares de meio período.A elasticidade de nomear um cristão solitário de eremita é bem maior, Aliás a palavra é usual para definir qualquer pessoa que gosta da solidão, independente de sua vida externa... mas semelhante um pouco a nossa Igreja Romana, o eremita diocesano deve ser consagrado pelo (a) Bispo(a) oficialmente.
Como foi já colocado acima, não são os casos do eremitismo da Igreja Católica Apostólica Romana, a não ser que algum bispo tenha concedido uma licença particular, que dispense o fiel do Cân 603.
 É preciso separar bem as coisas e esclarece- las para não termos um“sincretismo de espiritualidade eremítica”. Aqui não se trata de ser contra ou a favor da união dos cristãos, mas devo colocar o prisma do catolicismo romano que é a do blog. 
Não há mal algum dos leigos viverem como podem a espiritualidade eremítica, porém é arriscado, chamá-los eremitas. O costume de assim chama- los pode ter sido introduzido com uma comparação `as Ordens terceiras. Um membro Franciscano da ordem terceira é considerado Franciscano terceiro. Mas a vida eremítica tem toda uma singularidade no seu carisma, que impede tal liberdade de nomenclatura, pois o eremita só é eremita de fato se está só com Deus, exceto é claro os eremitas que se encontram em mudança ou em enfermidades, e necessitam transitoriamente do cuidado de terceiros.  
       Aqui se trata de pessoas que tem suas vidas totalmente estabelecidas e enraizadas no mundo, sem a menor previsão ou intenção de assumir um eremitismo definitivo, ou seja estão impedidas, não são livres, seja por estado ou por outras obrigações de honra.
Explicado então quem são as almas que se identificam com a vida eremítica, vamos para segunda parte onde tratamos do eremitismo parcial ou secular na sua prática.

Como participar espiritualmente do carisma eremítico ?

Os leigos também são convidados a viver o carisma eremítico !

Em primeiro os que querem dedicar-se a solidão de modo secular, deve saber que o momento em que escolherem ficar a sós, devem estar desligados do mundo. Deve- se evitar ao máximo as comunicações, e consagrar-se por inteiro a seus momentos solitários, louvando a Deus.
Alguns que conhecem a Liturgia das horas, dedicam seu tempo livre rezando os salmos e hinos, próprios dessa liturgia. Pode ser também ofícios breves como o ofício parvo de Nossa Senhora, da Imaculada Conceição e outros.
Uma outra parte da jornada convêm à leitura espiritual e também a Lectio Divina (Leitura orante da Bíblia). Seria interessante ler autores que falam da contemplação e solidão.
 A atividade de empregar-se a meditação por meio da oração contemplativa de quietude, com o método teresiano, ou de exercícios espirituais conforme Santo Inácio, é muito perfeita. Mas o mais excelente meio de orar dentro do carisma eremítico é a Oração do coração ou Oração de Jesus (Cliquem nesse link os que não conhecem ainda), em que se invoca incessantemente o santo nome de Jesus, essa é a oração hesicasta, praticada desde os primórdios da vida eremítica e monástica.

Oração e recolhimento, fundamental para os que vivem o eremitismo parcial

Mas, o eremitismo, não seria considerado assim, se não houvesse aquele gozo da solidão e silêncio puro, diante e Deus. Sem procurar exercitar-se positivamente em alguma devoção, mas apenas estar só diante de Deus, em simplicidade, sem procurar ser original. Sentir a solidão, estar só, embeber-se da solidão pura na santa presença de Deus. 


Solidão pura diante de Deus

Uma vez que seus horários já são muito resumidos, convêm administrá-los sabiamente. Sem fazer de todo seu tempo um devocionário sem fim, e sem ser também um enfadonho ócio improdutivo.

O local apropriado


Lugares ermos e solitários, é o ideal

Os que vivem a solidão em meio período do dia, convêm que tenham ao menos o quarto separado, ou outra dependência da casa em que não passe muitas pessoas. Sem criar essa pequena estrutura, não será possível a solidão efetiva, ainda que temporária. Se você não tem seu espaço e está desprovido de tudo isso, há duas soluções: Ou renunciar a solidão diária e conformar-se em retirar-se apenas aos fins de semana, ou escolher uma Igreja ou convento de adoração perpétua, e se oferecer como adorador cotidiano por um período do dia ou pela noite, seria interessante todo um período completo, ou até dois. 

Ser um adorador permanente pode ser uma boa solução

Não será uma solidão absoluta, mas terá um bom tempo para estar com Deus. Escolha os lugares da frente ou onde não costumam transitar curiosos e inquietos. Escolha um lugar com adoração silenciosa, pois nas adorações com reflexões em grupo, não terá silêncio. Se mesmo assim não há perto de você essa opção, passe o período na Igreja, até ela fechar, ou até o fim da última missa. O ponto negativo, seria que você não estaria totalmente a vontade, como no seu quarto ou sua casa, passando muitas horas, já seria necessário sair para fazer um lanche, ir ao toalete (há Igrejas que não tem...) retornar novamente... o que pode causar dissipação se tiver que sair da Igreja e se dirigir a outros estabelecimentos... mas já ajuda muito a dar uma sensação de retiro, recolhimento e solidão.  
 Os que se dedicam a solidão nos fins de semana e feriados, tem mais tempo nesses dias para adentrar na solidão e oração, em todo período do dia. O melhor seria também estar numa casa de retiros, para evitar dissipação. O desafio é que a maioria das casas não proporciona retiros em solidão, sempre são retiros em grupos, o que estorva a alma eremítica. O que fazer ? 
Existe uma opção que é mais prática, para quem tem renda, pois se trabalham devem ter uma economia para si. Pode-se pagar um hotel ou pousada, perto de uma Igreja, e levar um oratório portátil, e ficar recluso no fim de semana. 


Uma pousada perto de uma Igreja em Viçosa, Ceará
Os hotéis com refeições seria melhor. Os que tem mais renda ainda podem alugar uma chácara, e passar nela o fim de semana. Aqui tem outro desafio, pois nem todos alugam para pessoa sozinha, mas apenas em grupos... O mundo é comunitário, então temos que nos conformar e nos adaptar ! Procurando bem ao menos umas três opções você terá. Se não conseguir, o hotel que seria uma solução mais prática, para possuir uma solidão efetiva. Alguns mosteiros também possuem hospedagem, acredito que é uma boa opção, todavia há outro contratempo, o dos religiosos, querendo ser muito corteses e acolhedores, não quererem te deixar sozinho, o que é o seu mais sincero desejo !

O desafio de uma perfeita solidão ao menos semanal, é a luta dos que vivem o eremitismo secular 

Como podem ver ficar perfeita e absolutamente só não é assim tão fácil... Pelo menos para os que tem familiares e obrigações que impedem... Alguns tem o seu próprio quarto mas sempre tem parentes o solicitando a todo momento. 

Retiros Eremíticos

No Brasil conheço uma congregação religiosa de espiritualidade da Renovação Carismática, que promove retiros em eremitérios: As Irmãs Franciscanas da Divina Misericórdia 

As Irmãs na fazenda


Essas religiosas possuem uma ótima fazenda: Fazenda Santa Maria dos Anjos- Cocalzinho GO, onde é viável fazer retiro de até 10 dias, totalmente gratuito (evite oferecer dinheiro, as irmãs são muito fiéis ao espírito de pobreza franciscana, as irmãs também não alugam seus eremitérios para moradia a longo prazo) em eremitérios na mais completa e absoluta solidão.

Fazenda- Convento- Santa Maria dos Anjos, GO

Os eremitérios ficam numa parte isolada da fazenda, e cada retirante tem seu eremitério. Estive lá ainda no final do ano passado,onde fiquei retirada por três dias, e posso garantir que, os eremitérios irão transmitir a mais genuína experiência de vida eremítica. As construções são rústicas, mas bem feitas. O eremitério é uma pequena casinha isolada, com um pequeno quarto, uma salinha que serve de oratório e refeitório, banheiro e cozinha. Os retirantes devem trazer sua própria comida e cozinhar dentro do eremitério (há um pequeno fogão a gás de duas bocas -sem forno-), para assegurar ainda mais a experiência eremítica. Na parte de fora há uma pequena varanda (há possibilidade de colocar uma rede, para maior descanso e conforto do retirante), um banco grande que garante uma maravilhosa vista para as montanhas.
 
Um dos eremitérios para retiros na Fazenda

Os que desejam podem ter a companhia do Santíssimo Sacramento (é necessário solicitar) em uma capela separada,bem perto do eremitério, e aí fazer suas orações.

Capela São José- para os eremitas retirantes fazerem a oração

Os retiros são abertos a todos sem distinções. Os poucos requisitos são que tragam sua própria comida, e que se conformem com a austeridade do lugar: nos eremitérios não tem luz elétrica,nem tomadas, portanto é inútil dentro do eremitério comunicar-se com aparelhos eletrônicos (a finalidade é justamente a pessoa desligar-se por completo do mundo). A noite é a vontade o uso de velas.Não leve alimentos que necessitam de refrigeração, pois lá não tem geladeira. Atrás da porta do eremitério há instruções práticas para os eremitas hóspedes.
As irmãs moram num convento separado um pouco longe da área dos eremitérios, uns 10 minutos a pé. Lá há uma comunidade de mais ou menos 18 irmãs, a maioria são formandas (aspirantes, postulantes e noviças) por ser uma casa de noviciado. As irmãs são muito acolhedoras, alegres e simpáticas. Os que desejam retirar-se em grupos podem também fazê-lo, há uma hospedaria para retiros comunitários, mas aqui minha prioridade é destacar o que favorece a vida eremítica. 
Devido o local muito isolado, nem sempre há Santa Missa, a não ser se houver um sacerdote hospedado, porém as irmãs comungam todos os dias. Se houver missa, será sempre na capela conventual ou de celebrações públicas, e não na do eremitério, porém não há preocupações, você sempre será avisado previamente,não há obrigação em assisti-la caso alguns queiram uma solidão radical, e sempre há como comunicar-se com as irmãs caso tenha alguma dificuldade.
São cerca de quatro eremitérios disponíveis (lá todo o ambiente e decoração é franciscano,por isso pobre, despojado, sem luxos e requintes) todos muito afastados um do outro, de tal modo que não se pode ver nem ouvir o que se passa em outro eremitério. 

Um retirante no eremitério da fazenda
 Desafios: Os eremitérios são muito concorridos tanto por serem gratuitos, como também por serem utilizados para os retiros das irmãs ( Dezembro e Janeiro que seria um bom tempo para os moradores de outra cidade, é justamente a alta temporada de retiros...) , por isso os interessados devem ligar e marcar seu retiro com muita antecedência, não há tempo mínimo, para os que não podem ficar muito, mas o tempo máximo é apenas 10 dias. Para os que moram longe, talvez consigam conversando com as Irmãs, 15 dias de retiro, mas tudo dependerá da época.
Será muito difícil também você conseguir retiros em todos os fins de semana... Talvez só consiga um fim de semana por mês.  Os retirantes devem arcar com a viagem para a fazenda que é de difícil acesso, é necessário comunicar-se com a superiora por celular para ir indicando o caminho (são 30 quilômetros de estrada de terra) ! O sinal de celular pega até a entrada da fazenda, mas nos eremitérios não. Você pode usar o telefone rural que fica na casa das Irmãs caso tenha que fazer alguma comunicação urgente.
 Em tempos de chuva pode ser mais difícil tanto a viagem como o retiro, de um lugar a outro dentro da fazenda é totalmente aberto, por isso leve um bom guarda- chuva, e calçados próprios para o tempo.E pode ocorrer falta de água devido o entupimento dos canos na época de chuva, mas você sempre será socorrido com prontidão pelas religiosas.
Os interessados nos retiros eremíticos na fazenda das irmãs, por caridade acessar o link abaixo:

http://franciscanasdadivinamisericordia.blogspot.com.br/2012/08/convento-sta-m-dos-anjos-pirenopolis-go.html
Convento Santa Maria dos Anjos
Lembrete: por ser área rural nem sempre há sinal no celular das irmãs, talvez seja preciso fazer várias tentativas de ligações.Caso houver alguma mudança no número da linha, basta ligar para qualquer outra casa das Irmãs Franciscanas da Misericórdia, e pedir mais informações. As irmãs também estão nas redes sociais, mas acredito que por telefonema é mais rápido o contato.
Pode haver no Brasil outras casas do mesmo gênero, que oferecem retiros em eremitérios separados, e ainda por cima gratuitos, porém tenho conhecimento apenas deste. Soube que a comunidade Taizé promove algo semelhante, mas nunca tive oportunidade de me aprofundar. Quem tiver mais informações de casas que promovem retiros em eremitérios (ou casinhas separadas), favor entrar em contato pelo Facebook via inbox, na página Vida Eremítica, será de grande serventia e utilidade aos demais.
 Alguns mosteiros oferecem uma ótima hospedaria, porém o preço é algumas vezes  exorbitante ! Para os que podem investir nessa opção, será um ótimo gasto. Podem haver mosteiros que os acolham para retiro, mas geralmente não é costume, pois o carisma da maioria dos mosteiros exceto de regra beneditina, é vida de clausura, sem grandes dedicações externas, geralmente são acolhidos vocacionados e parentes dos (das) religiosos (as), apenas. 

Hospedaria de um Mosteiro Beneditino

Os sacerdotes já têm mais facilidade nesse ponto podem oferecer-se para a santa missa, conferências, etc, mas não desfrutaria da solidão integral, e devemos também ter consideração com as monjas (pois não tem funcionários na cozinha e lavanderia, como os mosteiros masculinos) que vão ficar em função do retirante, preparando comida e hospedagem, atrapalhando o andamento interno da comunidade.
Os eremitas diocesanos em sua maioria não recebem hóspedes, para dormir, a não ser se estiverem em eremitérios com a estrutura de uma hospedaria separada.Talvez algum, tenha na regra espírito de acolhimento a hóspedes e peregrinos, e os recebam dentro do eremitério. Deveria nesse caso conhecer o (a) eremita e se na norma de vida dele (a) é viável a hospedagem de terceiros.

Uma monja eremita da Santa Cruz, acolhendo uma hóspede

Os que desejam em longo prazo viver esse modo de vida, podem também adquirir uma pequena propriedade rural para retirar-se. É um meio eficaz de ter uma solidão independente sem transtorno com as criaturas que cada hora tem uma vontade de te ajudar ou não. Sugiro chácaras com seu próprio terreno separado, e não dividido com outro proprietário (a não ser que seja de parentes, ou pessoas de muita confiança), de preferência que a distância das casas sejam de pelo menos 200 metros. A desvantagem pode ser a manutenção, acredito que uma chácara de até 5 mil metros é mais que suficiente, acima   disso será difícil cuidar, e vai precisar de funcionários...  Sempre visite (antes de alugar ou comprar), nos fins de semana ou feriados, pois algumas comunidades ou núcleos rurais são muito silenciosos durante a semana, mas nos fins de semana são um verdadeiro escândalo com música alta (se é que se pode chamar essas desarmonias modernas de música) !

Chácara pode ser um excelente investimento para retiros a longo prazo
A última sugestão por fim é a de ter um Trailer home, funciona como uma casa portátil onde você pode ir a lugares ermos e montanhosos, tendo a comodidade de sua casa consigo (o trailer home é uma casa completa com sala, cozinha, quartos e banheiro) ! Pode ser um investimento caro, mas estável por toda vida, existem aluguéis que poderia suavizar o orçamento pesado de uma compra (os preços podem variar de 12 - se for usado - a  70 mil, mas também existem aluguéis, que são bem mais em conta, e para um leigo pode ser o suficiente, deixo este link para os interessados: http://www.motorhome.wiki.br/ ) . 


Foto de um trailer home estacionado num lugar ermo.
O local vai se variando conforme o gosto, haveria grande vantagem da diversidade de ambientes, e simples locomoção caso precisar de qualquer coisa. A desvantagem poderia ser a segurança, ainda mais aqui no Brasil, entretanto diz o Salmo 1: “É feliz quem a Deus se confia”. Uma outra desvantagem é que as rotas a lugares ermos, costumam ser íngremes, o que pode confundir um (a) motorista menos experiente ...

Uma outra foto de um trailer por dentro num lugar ermo
Os profissionais do ramo garantem jamais ter ocorrido qualquer coisa errada, e até afirmam que é mais seguro do que uma chácara ! O mais curioso também é que as pessoas que aderem a casa portátil, dificilmente se arrependem !  Há outros nomes e outros tipos de trailer (motor-home, casa portátil).

Trailer home, opção ousada, mas com grandes vantagens !
Alguns arriscam e inclusive houve até mesmo uma eremita (Sister Wendy) que assim viveu toda sua vida eremítica, foi carmelita e ao deixar o carmelo assumiu o eremitismo sobre as rodas ! Sendo assim não deve ser tão ruim nem tampouco impossível. 

Irmã Wendy, eremita, viveu solitária dentro de um trailer home !
Essa Eremita, talvez já seja falecida, o que indica que começou a viver assim há uns 30 anos atrás ou mais, era outra realidade social e ... fora do Brasil ( Na América é muito comum o uso dos trailers, tanto que uma a cada doze famílias tem um trailer home -estatísticas do Globo Online-)... Tudo se deve considerar, mas o ideal seria conhecer alguém que vive atualmente essa experiência. No link acima trata de várias atualidades de acampamentos em trailer home !

Correntes de Espiritualidade

Alguns tem afinidade especial com uma ordem : Beneditinos, Carmelitas, Taizé, Foucald, dentre muitas outras. Seria interessante agregar-se como terceiro, ou oblato dessas ordens, para pertencerem a uma família espiritual, conhecer mais contatos que tenham as mesmas afinidades e propósitos e assim gerar um leque maior de opções com o acréscimo da experiência de outras pessoas. Uns permitem que seus oblatos façam retiros e passem largas temporadas nas hospedarias ou portarias de seus conventos. É uma forma de estar unido a sua ordem preferida e viver seu carisma. 

Oblatos Cirstersienses

No Brasil ainda não temos variedade para expandir a espiritualidade eremítica com sua devida estrutura tanto para os consagrados como para os leigos. O que resta é usarmos os meios que estão em nosso alcance. 
De um modo geral no que se trata de eremitismo, sempre o eremita terá que valer de suas forças e rendas, para conseguir estar só...
  

Deus Solus
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